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De Engenheiro do Ambiente a empreendedor EcoDelivery

January 23, 2019

 

Olá chamo-me Licínio Neto tenho 40 anos.

O meu pai era metalúrgico e a minha mãe empregada de comércio, sou filho único, fui bom aluno sobretudo no primeiro ciclo, até que numa tarde chuvosa parti a cabeça pela 5ª vez ao colidir com uma motorizada ao atravessar uma estrada, posteriormente até a minha letra mudou, segui normalmente a escola até ao 12º ano, tive dificuldade a fazer matemática, a professora que tive não ajudou muito, depois de chumbar dois anos mudei de escola, e fiz facilmente a disciplina até no exame nacional.

 

Não sabia muito bem o que fazer a seguir, tentei entrar na academia militar mas como treinei pouco e sozinho, espalhei-me logo nos testes físicos. Candidatei-me ao ensino superior, apesar disso envolver um esforço financeiro significativo para a minha mãe, embora gostasse mais de biologia marinha, eu escolhi engenharia do ambiente porque parecia ter na altura mais perspectiva de emprego, e também era uma forma de proteger a natureza que tanto gosto de apreciar, na altura em 1998 existiam no máximo 5 locais onde se podia tirar esse curso, fui para a Escola Superior de Tecnologia de Viseu, porque era um politécnico o que me parecia ser mais fácil para mim, por favorecer pensava eu, o saber fazer em vez de o saber estudar, e já gostava da cidade.

 

Acho que era o que tinha a nota mais alta de entrada dos 50 caloiros desse ano, nesse primeiro ano só passaram 5 distintos caloiros e eu fui um deles, tendo feito as duas análises matemáticas na época de recurso, devido ao número de disciplinas atrasadas e vida académica animada não consegui transitar para o 3º ano, é de realçar que nesse 3ºano do curso não existia ninguém com 3 matrículas, tal era o grau de exigência que nos era aplicado, voltei a chumbar no 3ºano...

 

Ao concluir o bacharelado tentei fazer um estágio profissional na câmara de Torres Novas, foi me impossível reunir com o presidente da câmara para esse fim, porque não o conhecia pessoalmente, motivo expressamente indicado pela secretária.

Tentei outras opções de estágio e emprego, como não obtive respostas continuei o segundo ciclo do curso para concluir a licenciatura, agora equivalente a mestrado, um dos trabalhos académicos que fiz na altura foi a avaliação ambiental do concelho, posteriormente a câmara contratou uma universidade, para realizar o mesmo estudo, que obviamente dava igualmente prioridade ao saneamento básico e tratamento de esgotos.

 

Terminei o ensino superior com 27 anos e média final de 13 valores, passados esses 7 anos já existiam mais de 20 escolas com esse curso, não conseguindo logo emprego ou estágio na área, fui para uma formação do centro de emprego de Marketing e Gestão Comercial, foi através desse curso que obtive um estágio profissional e consequente maior remuneração que tive até agora, 800 euros.

Estagiei numa pequena empresa de gestão de resíduos na zona industrial de Torres Novas, continuei funções após o estágio, a empresa era tão pequena  que cheguei a ser por muito tempo o único trabalhador (embora com um volume de negócios superior a meio milhão de euros), o que implicava fazer tudo, desde falar com fornecedores, recolher, lidar e acondicionar os resíduos (que a maior parte eram baterias usadas de automóveis e camiões, o restante era sobretudo material electrónico e informático), limpezas, carregar e descarregar camiões, preencher cheques, guias etc...e ainda trabalhar noutro armazém e na gestão do correio e facturação de outra empresa do mesmo proprietário, o que me animava mais fazer era os "recados" ir aos correios, bancos, levando a bicicleta que era o meu transporte para o trabalho, sobretudo na primavera e verão.

 

Após o meu pai falecer de um AVC, causa da morte também do meu avô e avó, e herdar indícios que o mesmo me poderia suceder, comecei a praticar BTT de uma forma muito mais desportiva, chegando a participar em maratonas, mas como treinava e ia a provas sozinho, afrouxei da competitividade e passei só a dar umas voltas.

 

Ao completar uma formação de Técnico Superior de Higiene e Segurança do Trabalho, ao pensar que iria ter mais facilidade de emprego, e já estar saturado dos trabalhos que fazia, despedi-me, o que se revelou ter sido uma má aposta, pois essa formação não me facultou nenhum emprego, embora tivesse estagiado na maior empresa da região, durante mais de um mês.

Embora o meu contributo para essa empresa tenha sido bastante limitado, a minha ligação sentimental a essa fábrica por vários motivos ainda se encontra ativa, até cheguei a enviar a candidatura para um cargo inexistente, tentando ser o responsável pelo marketing ambiental...

 

Também me candidatei para uma vaga para estafeta, na primeira empresa de estafetas de bicicleta em Portugal, mas como a maior parte das candidaturas, não obtive qualquer resposta.

Depois de várias formações, empregos precários e temporadas no desemprego, já a ponderar seriamente a hipótese de emigrar, em finais de 2016 enviei uma candidatura para uma incubadora de empresas local, a StartupTorresNovas.

Aliando a minha vontade ecológica de trabalhar sustentavelmente e o gosto por pedalar criei uma empresa de estafetas de bicicleta. Com a ajuda da incubadora, em Março de 2017 a Recadex começou a sua atividade, com uma grande variedade de serviços e entregas por estar situada numa pequena cidade, Torres Novas.

Na altura destaquei o apoio a empresas na entrega e recolha de correio e encomendas, o que se verificou ser um mercado difícil de entrar, actualmente a maior parte dos serviços são apoio de proximidade a clientes com pouca disponibilidade ou mobilidade para realizar compras, ou ir buscar refeições prontas, fornecendo um apoio também para o comércio local, como a bicicleta utilizada é bastante original, e dá bastante nas vistas ofereço também um espaço de exposição de publicidade a empresas na forma de bandeiras fixas na bicicleta.

 

Tive que derrubar muitos hábitos adquiridos, muito desconhecimento da totalidade de serviços que faço, muita gente inventa e fomenta a sua invenção da sua versão do que ando a fazer, o que parece anedota mas é bem real e desconstrutivo de tudo o meu esforço, mas como não desisti, após quase dois anos uma boa parte da população já me vê como uma alternativa de confiança e eficaz quando precisam dos meus serviços.

O conceito e a marca registada Recadex já provou ser sustentável economicamente em Torres Novas, acredito que é bastante mais fácil implementar o mesmo conceito em cidades de maior dimensão, mais abertas a mudanças e alternativas sustentáveis.

 

Tenho batalhado muito sozinho neste projecto, além do suporte de amigos, e da ajuda inestimável da Helena Caetano da StartupTorresNovas, parece que às vezes me falta pelo menos um Sancho Pança,  já ganhei concursos de empreendedorismo e fiquei muito desiludido com os “prémios”, também me enganei tremendamente com supostos facilitadores da expansão da Recadex, até com parcerias desanimei, mas isso só me dá mais força para batalhar nos meus objectivos.

O meu objectivo para 2019 é expandir a Recadex para mais cidades, onde os interessados em levar o conceito para onde vivem, se inscrevam com empresários em nome individual como eu, em regime de full-time ou part-time, e a forma de facilitar tudo isso seria através de uma aplicação no telemóvel, que para ter as funcionalidades mínimas desejadas terá um custo ainda avultado para mim, após analisar as opções de financiamento, a campanha por crowdfunding, que é uma forma obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa, me pareceu ser o processo menos burocrático e simples, embora envolva um esforço de marketing colossal para convencer as pessoas a contribuir.

 

Dado a minha impaciência devida à perda de tempo em anteriores fracassos de tentativas de financiamento, desenhei a campanha sozinho rapidamente, me fiando nas redes sociais para o sucesso da campanha, como não queria ter que enviar recompensas em forma de merchandising para todo país, apontei como apoiante alvo os habitantes de Torres Novas, que precisam ou nunca testaram os meus serviços de entregas e publicidade, até agora estou muito aquém do objectivo de capital a angariar, e o término da campanha está a chegar, até com ajuda especializada e dedicada, não surte efeito assinalável.

Caso não seja por aí que consiga a verba necessária, a Recadex vai expandir de qualquer forma, com ou sem aplicação, pois tenho interessados em fazê-lo, mas é um processo moroso, que envolve muitos factores além da vontade, sobretudo o que dificulta é como sempre, é a falta de dinheiro dos próximos empreendedores e estafetas, para obter uma bicicleta eléctrica apta para todo serviço, embora este ano começarem a existir apoios para adquirir essas bicicletas.

 

Muitos investidores não conseguem compreender o potencial do meu negócio porque tem poucas referências internacionais desse segmento. Entretanto o EcoDelivery já é muito utilizado em Barcelona, Amsterdão, Copenhaga, Nova Iorque e São Paulo.

Em Lisboa  e Porto a revolução dos mercado das entregas já é mais que adquirida, embora seja maioritariamente por meios motorizados, o futuro desta área e da logística urbana é claramente evidente sem emissões, existem inúmeras empresas multinacionais com serviços similares sobretudo na entrega de refeições prontas, que obtêm investimentos de centenas de milhões de euros para ganhar mercado, claro que me vai ser difícil debater com esses gigantes, não esquecer o minha faceta de D.Quixote... é claro que o meu espectro é outro, cidades mais pequenas, com uma ampla gama de serviços inovadora, como o serviço de proximidade a quem mais necessita, passeio de crianças, entregas especiais, e mais saliente a publicidade, onde os futuros Recadex serão meus companheiros nesta “aventura”, e não apenas simples prestadores de um serviço, como na concorrência.

 

Neste momento encontro-me enclausurado em casa a recuperar de uma pneumonia, talvez devido a ter uma imunidade mais baixa por andar mais em contacto com o frio e muita gente, não trabalho desde o último dia do ano passado, ano que não tive qualquer doença... enfim umas férias forçadas inesquecíveis, que me levam a pensar muita coisa, sobretudo formas de sensibilizar as pessoas para a campanha de crowdfunding, e este meu percurso que aqui descrevo, que ficaria premiado com o sucesso da escalabilidade Recadex, o que além de ser bom para mim e para os outros futuros “fundadores”, seria benéfico para o ambiente porque representaria uma mudança de paradigmas e valores que se tornam cada mais urgentes tomar, respeitar e implementar a bicicleta como meio de transporte e de trabalho, será um grande passo para um mundo melhor.

 


 

 

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